A partir do deserto
um silêncio se apaga outro silêncio de água
António Ramos Rosa
Eu continuo o peripatético patético, com pupila de flâneur,
passos de viajante, sentado num snack-bar que ninguém
baptizou Walter Benjamin
Urdindo auxiliado por esse diário - ao que dizem
os estudos, cancerígeno - nokia não saariano-
a Margem Sul do verso ( esse outro deserto)
A associação com linha invisibilíssima,
de espantos anões de surreal quotidiano,
do tamanho de botões ou bolsos, com que fala
mas nada diz ou guarda
Es_pasmos, ou suave sindicato
reivindicativo de pelo menos,
06:53 de silêncio pio,
do tão incréu burburinho
do Cais de Cacilhas
Para os conversos para ringtone Tinariwen,
trupe musical de ex-guerreiros tuaregues,
transumando mais tarde lados de rio e delírio,
sobre este deserto branco (que vou manchando),
e sobre as águas, pelas mãos de toner decerto crístico,
não imprimindo pegada
Se tanto, uma boca-e-aberta
tolerando algum ar,
quente, árido lembrete
de uma outra latitude
psicológica, rosas de areia
em tempestade
E célebre tirada sobre
os escritos de bardo negacionista,
da assisada crítica
" É a guerra."
Sim, mas é música também
De Abidjan, a Bamako até Tagus
Como a presente compilação de canções gravadas por telemóveis nómadas
poema, trilho que sonoriza todas as bandas,
muito literal peer-to-peer